1.10.08

Sendo José

Já não se pode ser José. Já não se pode nada. Gente não se é. Gente talvez seja, sem se ser. Apenas sendo sem ser-se a si mesma deixando por ser aquele que se é. Mas já não se pode ser. José. Na experiência da negação do ser, da impossibilidade da totalidade, negatividade do indivíduo... José. O ser comum que não é. Nada basta. José não basta. Não se basta. Nem oração. Nem o coração. Perdida a salvação, o deslocamento. “Do não ser que brota esse ser.” José. O mundo. Mudo. Perdido. Malfadado. Mal falado. Desgraçado. José. Silêncio. Já não se pode ser José. E agora José? O que será? Como seu ser será? Ser-se, será? A partir de quando, gente? Nem José, nem gente. Ser José é ser gente? Gente da gente que não sente. Não mente. O ser perdido, enquanto encontrado no deserto, deixa, abandona, se faz ausente. Sendo-se deixa de ser. Apenas José, mas já não se pode sê-lo. Nem gente. Nem a gente. José...

1 comentários:

Anônimo disse...

Belo texto Eliázaro. E agora José? precisa mesmo ser revisitado e atualizado. Gostei muito. Voltarei aqui mais vezes.
Abraço. Thiago