20.9.08

A velha e mesma mania de sempre.

Estragar tudo é mais que um hábito, é uma necessidade. A afirmação destrói o sonho, torna tudo tão rasteiro e mesmo sabendo de tudo isso, eu insisto na pergunta. Insisto até que a verdade venha cortante destruindo o que há de poesia em qualquer coisa. A verdade fria. A verdade crua. A verdade. Verdade. Verdade. Verdade! Sempre ela! Mas a culpa, adivinhem, é minha. Sou eu quem pergunta. Sou eu quem já sabe o final, mas não gosta das conclusões incertas. Sou eu. Eu. Eu. Eu! Sempre! E como sempre, assusto, intimido e estranho. Ao final consigo verter o que era uma aproximação delicada em um final frio. Um simples "tchau" sem sabor, sem saber. E se não acontecesse sempre e todas as vezes, diria eu que Freud estava errado, mas como negar a repetição? Como negar a pulsão de morte? Como negar a repetição da morte em pequena escala e o prazer que há em procurar a própria dor? Em buscar em cada espaço, em cada silêncio a oportunidade de colocar a pergunta que leva sempre ao mesmo desfecho? O mundo se repete, uma sucessão de atos diferentes na linha temporal, mas que em estrutura são sempre os mesmos. A mesma busca por aquilo que não se deve dizer. Que se matem os sentimentos com as palavras ou ações! Qual o problema em deixar que eles falem por si mesmos, mesmo que toda insegurança e incerteza surjam dessa linguagem a nós acessível apenas pelas metades. O que quero nessa exata hora? Ser um avestruz. Mas até essa saída não me convém, não quero apenas esconder o rosto, mas lentamente evaporar... subir aos céus como um bando de moléculas gasosas e não mais voltar. E se for pra voltar que seja sobre o mar, para me misturar à imensidão oceânica e nunca mais ser quem sou agora, não concentrar os sentimentos, mas espalhá-los por toda água salgada do planeta. Minha afinidade com os oceanos se dá pelo simples fato de que suas águas não passam de uma grande lágrima. A lágrima que eu quis chorar e não consegui. Espero ao menos conseguir dormir sem sonhar. Se sonhar, não quero lembrar. A consciência agora é o que mais se faz sentir o que eu menos quero é sentir. Não quero mais sentir só. Mas a impossibilidade imensa e a longínqua distância, só me deixam o refúgio da entrega à pequena morte que é o sono. Será que ao menos essa aniquilação parcial me será concedida? Ou viverei assim? Sendo e, querendo ainda mais, não ser.

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