19.9.08

Da passagem do tempo... Ou das verdades atemporais.

Hoje faz um mês... Como se fizesse alguma diferença para alguém, além de mim mesmo, a quantidade de tempo que o próprio tempo representa. E claro, o que representa, ou melhor, o que ele a mim representa, não pode ser dado ou compartilhado com mais ninguém. E novamente, que diferença faria se o pudesse? A única coisa que de mim mesmo dou, a dou sem consentimento, pagando o simples preço de existir para as outras pessoas. Se é que de verdade existo para alguém além de mim mesmo. Não é preciso ir muito longe, ou muito fundo, o frio de que me abasteço agora é o móvel ideal e o retrato da estagnação tomada como presente, personificada, petrificada. E se fizesse mil anos? Se eu ainda estivesse por estas terras como um matusalém às avessas? Talvez virasse atração de circo, ou, se me pagassem bem, cobaia para experimentos genéticos. Quanta diferença faria... A passagem do meu tempo é minha. Dos outros, nada sei além das representações que deles faço e do investimento sentimental que a eles dedico. Investimento tão grande quanto aquele que a mim é atribuído, ou assim creio, ou pelo menos acho, talvez menor até. Não sei gostar. Não sei odiar. Não sei ser nada além de morno. Hoje faz um mês, mas... [?]

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